A Síndrome de Burnout

Síndrome de Burnout

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O esgotamento nosso de cada dia – Normatizando A Síndrome de Burnout

O que é?

A síndrome de Burnout é o resultado do stress crônico e mal gerenciado no ambiente de trabalho, caracterizada pelo esgotamento mental e físico, relacionados ao trabalho e ao sentimento de redução da eficácia profissional. O termo significa ‘queima’ ou ‘combustão total’ gerada por esta exaustão.

Ela foi descrita pela primeira vez em 1974, pelo psicólogo Herbert Freudenberger. Desde então, a doença tem associação próxima com o contexto de trabalho. O próprio especialista a descreveu como “um estado de esgotamento mental e físico causado pela vida profissional: “esgotar-se para atingir uma meta irrealizável, imposta pelo próprio indivíduo ou pela sociedade”.

Como identificar?

Manifesta-se basicamente por sintomas de fadiga persistente, falta de energia, adoção de condutas de distanciamento afetivo, insensibilidade, indiferença ou irritabilidade relacionadas ao trabalho de uma forma ampla, além de sentimentos de ineficiência e baixa realização pessoal.

Identifica-se três componentes principais:

  • Exaustão emocional: caracterizada por cansaço extremo e sensação de não ter energia para enfrentar o dia de trabalho;
  • Despersonalização: adoção de atitude de insensibilidade ou hostilidade em relação às pessoas que devem receber o serviço/cuidado;
  • Perda da realização pessoal: sentimentos de incompetência e de frustração pessoal e profissional.

Brasil, o segundo país mais afetado do mundo

De acordo com dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), aproximadamente 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com a síndrome de burnout, uma doença ocupacional reconhecida e classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2022. Atualmente, o Brasil é o segundo país com mais casos diagnosticados no mundo.

Perigos da normalização

Especialistas da área da saúde mental discutem se a síndrome pode ser restrita apenas dentro do campo profissional, focando ali políticas de ações para redução de danos ao trabalhador. Até bem pouco tempo atrás, acreditava-se que o burnout acometia apenas profissionais que realizavam longas jornadas de trabalho, serviços perigosos, ou mantinham dupla jornada de emprego.

Dentro da perspectiva do consultório, que é um retrato do que se passa na sociedade, nota-se que a síndrome atinge à uma diversa gama de trabalhadores, de diferentes segmentos, classe social e faixa etária, gerando sofrimento psíquico em seu entorno, ou seja, nas relações pessoais. Claro que o fator econômico é um dos grandes responsáveis por esta epidemia constantemente silenciada.

Silenciada, pois observamos cada vez mais (e com muita consternação) o aumento do número de indivíduos cada vez mais doentes, mas que normatizam este estado de condição mental.

O emprego é o local da fonte de renda, assim como realização pessoal e profissional, mas não podemos normatizar o fato de que uma individualidade seja restrita apenas à uma função profissional, na qual, muitas vezes exige-se em troca a qualidade de vida do indivíduo. Lazer, horas de sono, hobbies, saúde mental são, infelizmente, tratados como luxos e/ou perda de tempo.

Fontes:

https://j.pucsp.br/noticia/sindrome-de-burnout-ja-e-classificada-como-doenca-ocupacional

Utilidade clínica do conceito de burnout: revisão sistemática de estudos longitudinais, apresentada em 2009 no Instituto de Psiquiatria (IPUB) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Síndrome de burnout acomete 30% dos trabalhadores brasileiros

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